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Thread: Português (Portuguese)

  1. #61
    Ludicus's Avatar Vicarius Provinciae
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Quote Originally Posted by Julius Isidrus View Post
    C#$!%$ !!!

    Sem identidade sinto-me vazio...Mas vejamos o lado positivo

    Julius, esta é para ti, comenta. Editorial do Jornal de Angola (sic),
    "Nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante. Queremos a LÍNGUA PORTUGUESA que brota da gramática e da sua matriz latina. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Devemos antes e do mais, respeitar a matriz e não pô-la a reboque do dificil comércio das palavras"

    Como dizia o Pessa, e esta, hein?
    ---
    É bom ter-te de volta, Pyrgopolynices

    ---
    Ainda estou para conhecer um emigrante português na França que não me envergonhe.
    Como assim, então a maioria não é do Benfica?
    Last edited by Ludicus; April 19, 2012 at 04:26 PM.
    Il y a quelque chose de pire que d'avoir une âme perverse. C’est d'avoir une âme habituée
    Charles Péguy

    Every human society must justify its inequalities: reasons must be found because, without them, the whole political and social edifice is in danger of collapsing”.
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  2. #62
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    Default Re: Português (Portuguese)

    O Pyrgo tocou agora no assunto fundamental e sobre o qual recai a minha seguinte pergunta.

    Quote Originally Posted by Pyrgopolynices
    Emigrar para a Irlanda é bom, se quiseres cultivar terras ou pastar gado. E aqui ao menos chove.
    Se queres ser um paddy à maneira, traz o teu tractor e vem cultivar na ilha Esmeralda!
    É tentador, mas e as irlandesas? Eu posso levar material de cá mas não sei se depois a relação despesa-rendimento no final compensa.

    Mas agora a sério, eu duvido que fique cá durante muito tempo, nem tenho nenhum problema em sair. Quero apenas acabar o mestrado e depois eu e o país conversamos. Estive 1 ano a fazer investigação a receber quase o salário mínimo. Palhaços.

    Quote Originally Posted by Zé do Pipo View Post
    Tudo começou quando nós tínhamos mais dinheiro que eles
    Não me lembres isso. Da última vez que o Ludicus colocou aqui os números apanhei uma depressão que me durou uma semana e três dias.

    Quote Originally Posted by Zé do Pipo View Post
    Pá, cá por mim, estou de olhos no Brasil. E, como sempre, em brasileiras
    Vocês... sempre a pensar no mesmo.

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  3. #63
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    Default Re: Português (Portuguese)

    E aqui ao menos chove.
    É por isso que não deves ir para a Irlanda, Julius.É mau para o reumático. Brasil, Julius, Brasil.
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  4. #64
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Quote Originally Posted by mindOverdrive View Post
    O Brasil é uma crise .
    Olha prós entendidos na matéria!

    A falar a sério, Brasil é nice, mas ouvi dizer que é complicado a longo prazo. Vistos e afins, aparentemente.

  5. #65
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Quote Originally Posted by Ludicus View Post

    Julius, esta é para ti, comenta. Editorial do Jornal de Angola (sic),
    "Nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante. Queremos a LÍNGUA PORTUGUESA que brota da gramática e da sua matriz latina. Se o étimo latino impõe uma grafia, não é aceitável que através de qualquer acordo ela seja simplesmente ignorada. Nada o justifica. Devemos antes e do mais, respeitar a matriz e não pô-la a reboque do dificil comércio das palavras"

    Como dizia o Pessa, e esta, hein?
    Pois. Tenho estado agora a ler outros artigos no mesmo jornal e até se dizem por lá coisas sensatas.

    A questão das consoantes mudas é uma vergonha e ainda por cima dá origem a tremendas confusões porque agora as consoantes mudas parece que desaparecem, ou não, porque se as pronunciar posso continuar a escrevê-las, e se não escrever também ninguém me mata, portanto, depende do gosto de cada um. Mas se não souber escrever, na dúvida, sai a consoante, e se por azar ela lá estava antes, então não a escrevo e as vogais que antes seriam abertas muito provavelmente serão alteradas, e a alteração fonética dependerá, outra vez, do gosto de cada um. Isto até é capaz de ter consequências nos próprios acentos de algumas palavras.

    Tornar igual o que é diferente para quê? Espero que ao menos existam vantagens económicas, para Portugal já agora.

    De qualquer forma o acordo não está em vigor. Já que estão nisto, podiam reintroduzir nos livros a 1ª palavra da próxima página no canto inferior direito, como nos livros antigos, isso sim dá um jeitaço.
    Last edited by Julius Isidrus; April 19, 2012 at 06:24 PM.

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  6. #66
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    Como alguns de vocês sabem, eu sou a favor do acordo. Logo voltarei cá para deixar uma opinião mais aprofundada.

    Não obstante deixo aqui este texto de um grande homem que conheço:

    "Reduziram-te, abril, a minúscula. Por acordo, segundo parece.
    Passaste a ser um simples mês, pequenino como os demais meses e a nossa vida, (vida pequenina ao serviço de défices e troikas)
    Menosprezam-te, quase não te pronunciam o nome, porventura com medo de te ressuscitar, abril.
    Pois eu até posso aceitar um acordo em que nunca acordei e passar a escrever todos os outros meses com minúscula.
    Mas o teu nome, Abril, assinalarei sempre com maiúscula.
    Abril."
    Last edited by Vítor Gaspar; April 19, 2012 at 07:36 PM.

  7. #67
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    Quote Originally Posted by Zé do Pipo View Post
    Como alguns de vós sabem, eu não sou a favor do acordo.




    (ainda ninguém meteu tags na thread)
    Last edited by Julius Isidrus; April 19, 2012 at 08:10 PM.

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  8. #68

    Default Re: Português (Portuguese)

    oh no. Ze de Pipo got a spam thread again.


  9. #69
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    Quote Originally Posted by Diglytron View Post
    oh no. Ze de Pipo got a spam thread again.
    Este tópico é off-limits a invasores holandeses. Outra incursão desta natureza será respondida com agressão.

    Vão mas é trabalhar para nos emprestarem dinheiro, preguiçosos.

  10. #70

    Default Re: Português (Portuguese)

    Hmm... ao falares de diáspora portuguesa, senti que me estás a mandar uma indirecta. Se assim foi, verifica por favor onde é que eu emiti algum juízo de valor em relação a Portugal.

    Se essa não foi a tua intenção, então retiro o que disse. Mas gostaria que desenvolvesses. Em que sentido é que achas que as comunidades têm uma má opinião de Portugal?
    Não te ofendes, nada disto é pessoal. Apenas é impressão que tenho, pelo que posso estar errado.

    Devido á nossa história, feitos, união e etc como nação, eu diria que somos uns dos países que mais amor tem ás suas raízes. Países como a Alemanha, França, em particular o Reino Unido são potencias europeias pois souberam atinjir e (e ainda sabem) explorar o seu potencial. Fico profundamente desgostado por saber que somos um povo fantástico, muito patriota, e certa maneira muito social uns com os outros, e digo isto devido já ter lido muitas vezes nos proprios jornais, em que futuros artistas ou turistas ficavam espantados com a nossa tão á vontade com os outros e o de querer ajudar outros, mesmo sem os conhecermos. Isto claro de maneira geral.

    E vejo este povo unico, a ser "devorado", porque ninguem é capaz de revoltar-se contra o que se está a acontecer. É muito vago, mas só querem saber se, aquele é comunista, ou aquele da direita, ou que ele pertençe aquele clube, ou que a Esquerda seja a maioria, ou que haja um Estado Social (seja lá o que isso significar), que tenha um bom carro, que queira emigrar porque ouviu que lá ganhavam 1400 euros, em vez de se preocuparem em unissimo com o futuro de Portugal. Não há aquele espirito de união em que todos lutamos por um objectivo...

    Se não, não aturávamos politicas que sabemos ser desastrosas e ruinosas para a existencia, como país ou povo.

    Resumindo, os que quiseram sair e ainda querem sair, vejo da parte deles, não sei sinceramente o que dizer, se egoísmo ou insensibilidade. E digo com vergonha e hesitação pois sei que um pode estar a morrer á fome, ou outro que se sentiu injustiçado a vida inteira, ou que esteja a ficar com a sua vida arruinada e asfixiada, quando na verdade quem faz isto tudo é as pessoas que elegemos. E os emigrantes vêem cá nas férias e depois voltam para o estrangeiro, do tipo "passo por aqui porque há sol, e tal e não sei o quê, como se fosse um ponto turistico ou encontro familiar, e depois é cagar neles". Como tu disseste...meteste um "Smile" e disseste que não ias voltar cá...como se fosse um insulto pedir que voltasses, e estivesses completamente feliz por abandonares o "barco"...ou seja pensaste por ti (o que não é mau, mas acho que percebeste a ideia...)

    A Alemanha e outros países são fortes porque os seus povos ganharam um nivel de cultura em que eles exiguem os melhores e que acreditam na sua força (aka produção nacional). E sabemos disso devido á suas culturas, e tambem devido aos motins e confrontos históricos que já ouvimos falar. E o que nós fazemos? O país está mal, portanto é bazar. Um governante faz corrupção ou algo inadmissivel, nós lamentamos e virámos as costas...Se melhorar por milagre, voltamos. É este o amor ás raízes, o acreditar no nosso país e dar força a nós próprios?

    Nem é a diáspora, é tudo. Está tudo errado, simplesmente. Não temos rumo. Temos tudo para ser os melhores da Europa, e digo porque o sei. Temos mesmo potencial de uma Holanda ou Dinamarca. Ms por alguma razão vivemos na Quinta Dimensão, está tudo no sitio, temos os meios, mas fazemos tudo errado, e tudo ao contrário.

    Sabes nem sei o que dizer....(eles já estão fartos da minha conversa ingénua a "lá patriota" lool). Basicamente, fico desiludido e triste quando vejo um compatriota congrutalar-se por ter saído de cá...só isso. É o meu orgulho português a ser atingido, pois tenho algo idealizado de sermos um povo "muita porreiro" e com orgulho. Se calhar é esse o nosso mal...termos pouca auto-estima. Por isso é que num povo como o nosso eu acredito que (desculpa lá ó Zé) politicas moderadamente nacionalistas iriam elevar-nos a auto-estima e a valorizar-mos. Enfim o que sei eu...o mundo todo está ao contrário.
    :sparta:
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  11. #71
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Não tens de pedir desculpa. Mas sabes, claro, que não suporto nacionalismos e não vejo nisso chave para nenhum sucesso.

    Primeiro vem o individuo, a família. Depois a comunidade. E, por fim, a Nação. É assim que vejo as coisas. E é também por essa hierarquia que eu vivo a minha vida. Primeiro estou eu e os mais queridos. Depois, e só muito depois, vem a Nação. No entanto não deixo de pensar nela, e acredita, apesar das nossas divergência não me deixo de identificar com os teus primeiros parágrafos.

    Mas, vou ser muito franco... o que há a criticar em quem vai para fora, pelo menos aqueles qualificados, cidadãos exemplares tanto enquanto em Portugal como nos países que os receberam, apenas em busca de uma vida que o país não lhes soube dar? Tanto potencial, tanto investimento pessoal e pessoal (e até público) numa pessoa, para depois, no fim, se concluir que neste país ela - e o seu trabalho - não são devidamente recompensados?

    Portugal é um ciclo vicioso. E magoa-me escrever estas palavras porque, porra, eu não deixo de concordar contigo em algum sentido... não acredito que nacionalismos sejam a solução (não são, nunca foram, nem hão-de ser, mas não vale a pena voltarmos a isso) mas ao ler as tuas frases, e ao pensar, e ao analisar o que vejo no meu dia-a-dia, só posso concluir que o pior de Portugal são os Portugueses.

    Se houvesse algo a mudar, seria a nossa cultura. Mas como mudas a cultura de um povo? Ou ele chega lá pacificamente, por consenso, através de muita educação (demorará gerações e gerações, e talvez nunca se chegue lá) ou então forças a mudança. Mas ao forçares a mudança cais, precisamente, na teia do mentecaptismo estatal, que bloqueia a inovação e o pensamento democrático e crítico perentório para qualquer país avançado, rico e próspero funcionar.

    Se eu pudesse... não sei que fazia. E, francamente, ultimamente ando a cair numa de escapismo que nem sei que vos diga... evito até pensar nestas coisas, escrever o que estou para aqui a escrever... sinto-me sinceramente afetado pelo rumos que as coisas estão a tomar. Enquanto estou por Lisboa então é o pior... em parte evito notícias, evito ver o telejornal, tento desviar a cara da gente cada vez mais pobre que anda a pedir pelas ruas... é horrível. Há duas semanas que não voltava para o Alentejo e só de encontrar esta vila limpinha e sem pobreza (aparente) sinto-me melhor, mesmo que o sol não brilhe aqui.

  12. #72
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Resumindo, os que quiseram sair e ainda querem sair, vejo da parte deles, não sei sinceramente o que dizer, se egoísmo ou insensibilidade. E digo com vergonha e hesitação pois sei que um pode estar a morrer á fome, ou outro que se sentiu injustiçado a vida inteira, ou que esteja a ficar com a sua vida arruinada e asfixiada, quando na verdade quem faz isto tudo é as pessoas que elegemos. E os emigrantes vêem cá nas férias e depois voltam para o estrangeiro, do tipo "passo por aqui porque há sol, e tal e não sei o quê, como se fosse um ponto turistico ou encontro familiar, e depois é cagar neles". Como tu disseste...meteste um "Smile" e disseste que não ias voltar cá...como se fosse um insulto pedir que voltasses, e estivesses completamente feliz por abandonares o "barco"...ou seja pensaste por ti (o que não é mau, mas acho que percebeste a ideia...)
    Percebo a tua indignação. Há mais de 4 anos atrás eu não me lembrei de iniciar uma revolução em vez de sair para o estrangeiro. Aliás, lembrar, até lembrei, mas não me levei a sério. Mas vou explicar-te porque é que me revoltei, não contra Portugal, mas contra a generalidade dos portugueses, e quero frisar "generalidade":

    Inércia: acabas um curso e, ou não te mexes, ou mexes-te para ganhar um tacho porreiro. Não queres um trabalho, queres um emprego.

    Corrupção: quem acusa os políticos de serem corruptos, olhe primeiro para o próprio umbigo. Vou afimar isto sem medo: mais de 99% dos portugueses já praticou actos de corrupção e, desses, para aí uns 90% continua a praticá-los conscientemente. Se puderes safar-te de passar factura, safas-te. E consideras que quem passou a factura é pato. E depois é o Sócrates e o Passos Coelho que são isto e aquilo. Não são os políticos que detêm as exclusividade em termos de corrupção, eles são a imagem do povo que governam!

    Inveja: quando a isto se alia a inércia, pior ainda. Esta piada ouvi-a aqui na Irlanda e é tão verdade. Um americano vê um tipo a descansar numa estância no topo de uma montanha e pensa: "se Deus quiser, um dia hei-te ter o mesmo que ele tem." Um português a contemplar o mesmo tipo pensa: "assim que chegar ao topo daquela montanha, empurro aquele cabrão colina abaixo!" Posso contar-te que das experiências de trabalho que tive em Portugal, cheguei a pensar que havia alguma coisa de mal comigo, que as pessoas não gostavam de mim por algum misterioso traço infame na minha personalidade, ou que pura e simplesmente as mentalidades da vida activa não eram como eu pensara nos meus tempos ingénuos de estudante. Na Irlanda, cheguei a uma posição de topo em dois anos e curiosamente, e duas pessoas deram-me problemas até hoje. Uma delas foi... um português!

    Direito: o português típico pensa nos seus direitos. Não pensa nos seus deveres.

    Futebolite Aguda: eu gosto de futebol, gosto do jogo. A futebolite aguda é uma das grandes razões pela qual muitos portugueses vivem na sombra da cabala contra eles. É o árbitro que é simultaneamente tripeiro, lagarto e lampião; é ultras facciosos, racistas, meninos-maus das claques; são os presidentes chico-espertos, politiqueiros e sedentos de poder. De uma certa forma, a futebolite aguda é o espelho da sociedade portuguesa.

    Eu saí de Portugal para poder pagar as minhas dívidas e para poder estabilizar financeiramente. Se foi uma decisão egoísta? Ah, sem dúvida! Quis certificar-me que podia ter uma vida melhor em vez de passar a lamentar-me durante anos a fio. Se foi com essa intenção que saí, não vai ser agora que regressarei, quando, pelas notícias que vou ouvindo, as coisas ainda estão piores. O smilie que deixei foi para o Julius, pois já não falava com ele há anos, imagino, aquando do extinto PorT e da comunidade TW que lá se encontrava a dar porrada uns nos outros com Hotseats (saudades desses tempos).

    Não amo menos o meu país do que amava antes. Mas revoltei-me contra as mentalidades de muitas pessoas. A cultura portuguesa, dessa não me esqueço e preservo-a o máximo possível. Se o pessoal quiser ouvir uns fadinhos, lá vai o Pyrgos com a sua guitarra. Se há jantarada de portugueses, lá estou eu batido.

    E, ainda que revoltado com o que se passa, tenho muito, muito orgulho em ser português!

  13. #73
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Quote Originally Posted by Pyrgopolynices View Post
    Olha prós entendidos na matéria!

    A falar a sério, Brasil é nice, mas ouvi dizer que é complicado a longo prazo. Vistos e afins, aparentemente.
    Quando eu digo crise não quero dizer a crise que está acontecendo no resto do mundo (que afetou o Brasil bem menos). O Brasil é uma crise porque, apesar de ser a sexta economia do mundo, o povo que vive aqui ainda está na merda .


  14. #74

    Default Re: Português (Portuguese)

    Quote Originally Posted by Zé do Pipo View Post
    Aliás, sabem porque é que os Portugueses se deram tão bem com os Ingleses, historicamente? Tudo começou quando nós tínhamos mais dinheiro que eles mas pouca produção agrícola. Eles exportavam cereais para cá.

    Achei que fosse por causa do vinho.

  15. #75
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Quote Originally Posted by mindOverdrive View Post
    Quando eu digo crise não quero dizer a crise que está acontecendo no resto do mundo (que afetou o Brasil bem menos). O Brasil é uma crise porque, apesar de ser a sexta economia do mundo, o povo que vive aqui ainda está na merda .
    Sim, é uma triste verdade. Mas confio que o futuro possa ser melhor nos próximos anos.

  16. #76

    Default Re: Português (Portuguese)

    Mas, vou ser muito franco... o que há a criticar em quem vai para fora, pelo menos aqueles qualificados, cidadãos exemplares tanto enquanto em Portugal como nos países que os receberam, apenas em busca de uma vida que o país não lhes soube dar? Tanto potencial, tanto investimento pessoal e pessoal (e até público) numa pessoa, para depois, no fim, se concluir que neste país ela - e o seu trabalho - não são devidamente recompensados?
    Compreendo-te perfeitamente...é complicado.

    Portugal é um ciclo vicioso. E magoa-me escrever estas palavras porque, porra, eu não deixo de concordar contigo em algum sentido... não acredito que nacionalismos sejam a solução (não são, nunca foram, nem hão-de ser, mas não vale a pena voltarmos a isso) mas ao ler as tuas frases, e ao pensar, e ao analisar o que vejo no meu dia-a-dia, só posso concluir que o pior de Portugal são os Portugueses.
    Sabes, eu gosto imenso de História, sobretudo de Portugal, sobre as batalhas, armaduras, epopeias etc. Portanto sei coisas que talvez muitos desconheçam. E pode parecer surpreendente, lol, mas eu sei que o Nacionalismo não é solução. A História mundial ensinou isso, em particular, com a Alemanha Nazi. Para mim bastava ser-se...nós proprios, só isso já faz de nós melhores pessoas (pois somos mais tolerantes, solidários e etc).
    O facto de eu referir um Nacionalismo moderado, é que vejo o nosso povo com muito pouca auto-estima, quase em depressão. E pensei, o que nos valoriza como povo, perante os demais? O problema é exceder-se e eu sei que essa ideologia é perigosa. Daí eu ser tambem monarquico, acho que ser-se monarquico é ser-se fiel a si mesmo e ao seu povo. Mas isso sou eu.
    Por isso é que é tentador defender algo que nos parece ser "muito patriota".
    Quanto ao pior de Portugal...engraçado ter chegado á mesma conclusão. É um pouco estranho, somos muitos bons, o melhor de Portugal, mas tambem somos o pior dele...realmente os estrangeiros têem dificuldade em perceber a alma portuguesa.

    Se houvesse algo a mudar, seria a nossa cultura. Mas como mudas a cultura de um povo? Ou ele chega lá pacificamente, por consenso, através de muita educação (demorará gerações e gerações, e talvez nunca se chegue lá) ou então forças a mudança. Mas ao forçares a mudança cais, precisamente, na teia do mentecaptismo estatal, que bloqueia a inovação e o pensamento democrático e crítico perentório para qualquer país avançado, rico e próspero funcionar.
    Pois...felizmente pouco a pouco nota-se alguma mentalidade mais civilizada diferente das gerações lá do 25 de Abril.

    Se eu pudesse... não sei que fazia. E, francamente, ultimamente ando a cair numa de escapismo que nem sei que vos diga... evito até pensar nestas coisas, escrever o que estou para aqui a escrever... sinto-me sinceramente afetado pelo rumos que as coisas estão a tomar. Enquanto estou por Lisboa então é o pior... em parte evito notícias, evito ver o telejornal, tento desviar a cara da gente cada vez mais pobre que anda a pedir pelas ruas... é horrível. Há duas semanas que não voltava para o Alentejo e só de encontrar esta vila limpinha e sem pobreza (aparente) sinto-me melhor, mesmo que o sol não brilhe aqui.
    Acreditas que eu acho que boa parte desta depressão no nosso povo é devido aos médias darem muito mais atenção ás piores noticias ao nosso país? Qaundo foi a ultima vez que ouviste um sucesso ou algo positivo sobre Portugal? Acho que eles têm uma boa parte da culpa. Por isso é que fico contente quando vejo o LIDL ou o Continente a fazerem campanhas aos nossos produtos nacionais, e ás boas noticias.

    Não amo menos o meu país do que amava antes. Mas revoltei-me contra as mentalidades de muitas pessoas. A cultura portuguesa, dessa não me esqueço e preservo-a o máximo possível. Se o pessoal quiser ouvir uns fadinhos, lá vai o Pyrgos com a sua guitarra. Se há jantarada de portugueses, lá estou eu batido.

    E, ainda que revoltado com o que se passa, tenho muito, muito orgulho em ser português!
    Ao menos isso consola-me, pois apesar de teres sido "obrigado" a isso, manter a dignidade e o orgulho é mais importante que o dinheiro. Pode ser que um dia melhore e sejas tentado voltar cá, sobretudo ter a familia aqui...pois portugueses há cada vez menos, muito menos.

    Um abraço.
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  17. #77
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    Default Re: Português (Portuguese)

    Inércia: acabas um curso e, ou não te mexes, ou mexes-te para ganhar um tacho porreiro
    Coitados dos jovens, bem se podem mexer, que pouco ou nada arranjam...cambada de preguiçosos, não emigram. Emigraste, parabéns, fico feliz por saber que tens sido bem sucedido. Parece então que a solução é emigrar, como aliás defende o nosso primeiro ministro.

    Achei que fosse por causa do vinho.
    1386 foi antes do vinho, e há também um tratado comercial em 1294.

    --
    Mas como mudas a cultura de um povo? Ou ele chega lá pacificamente, por consenso, através de muita educação
    Isso é verdade! e também através da alimentação, porque há quem só coma uma vez ao dia, e isso é na escola. E também através da selecção. É separar nas escolas os bons dos maus alunos e aumentar as propinas; no fim, ficam todos desempregados. Há uma diferença: os mais ignorantes vão ter mais doenças psicossomáticas, os mais instruídos vão ter depressões,porque psicosomatizam menos. Ele é escolher entre os antidepressivos/o sindrome de Munchausen e muitas radiografias.
    Last edited by Ludicus; April 20, 2012 at 06:30 PM.
    Il y a quelque chose de pire que d'avoir une âme perverse. C’est d'avoir une âme habituée
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  18. #78
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    Quote Originally Posted by Pyrgopolynices View Post
    lá vai o Pyrgos com a sua guitarra.
    Eu, por coincidência, e digo isto com muita humildade, também sou um grande artista. É pena os dias não terem 48 horas e o dinheiro não nascer nas árvores porque já pensei várias vezes em tirar a licenciatura em Música na ESML.

    Mas enfim, tenho estado aqui agora entretido a fazer um electroscópio. Por pouco não queimei o transístor sem querer mas acabou tudo em bem no final.
    Last edited by Julius Isidrus; April 20, 2012 at 06:13 PM.

    Thema Devia - Português (Portuguese)

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  19. #79
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    Quote Originally Posted by Ludicus View Post
    Coitados dos jovens, bem se podem mexer, que pouco ou nada arranjam...cambada de preguiçosos, não emigram. Emigraste, parabéns, fico feliz por saber que tens sido bem sucedido. Parece então que a solução é emigrar, como aliás defende o nosso primeiro ministro.
    Emigrar é uma das soluções, sem dúvida. Diz-me tu, Lucidus, que gostas de história. Que tens a dizer sobre o fenómeno iluminista ou industrialista em Portugal? Os cérebros autóctones aprenderam tudo na terra que amam? Acaso pensas que Portugal tem hoje em dia arcaboiço para manter a população graduada que produziu? Sê realista e diz-me.

    Passo a metáfora: se bebes demasiada água, tens de ir mijar. Se comes demasiada comida, tens de cagar. Com esta conversa escatológica tenho de referir que, se me queres tratar como escória por ter escolhido traçar o meu caminho de uma forma diferente da da maioria, lamento muito que me repudies por isso.

    Inércia tipo A: acabas um curso e ficas à espera que com as tuas qualificações venha alguém oferecer-te trabalho. Ou então mandas o CV e esperas que toda a gente olhe para ele, fique atónito ao ver o quão espectacular é o facto de teres acabado com a classificação final de Bom, e quando ninguém te chama, resmungas que havia pessoal já com o tacho armado. Não fazes ideia de quantas pessoas mandaram CV's iguaizinhos ao teu nem de que nem passaram os olhos pelo teu testamento.

    Inércia tipo B: fazes um esforço para teres um trabalho que não te dê muita chatice. Eventualmente coçarás os chatos o resto da vida e sonharás em fazer uma viagem a um país tropical anualmente ou de dois em dois anos. Tens um tio na câmara municipal ou um amigo dele numa empresa cujo gerente é amigo também do teu pai. Esta é a razão pela qual o inerte tipo A anterior pode procrastinar à vontade quando está na hora de mandar mais um CV. É tudo uma questão de tacho. O que se calhar até é.

    Eu fui, de certa forma, um inerte tipo A até me dar conta do que andava na realidade a fazer. Aulinhas aqui, recibos verdes ali, contava os tustos que tinha ao final do mês. Até ficar endividado fazendo pouco ou nada por isso.

    Conclusão: tens de agir. Esperar pelo trabalho de sonho é irrealista neste momento. Como diz o Julius e o Zé do Pipo, se for preciso enveredar pela agricultura e pela auto-suficiência. Ficar sentado a mandar CV's e a mandar bitaites não resulta.

    As palavras do Passos Coelho, ou lá de quem as disse, são pouco demagógicas, e convenhamos que politicamente incautas. Mas não são hipócritas. O pessoal tem de cair de uma vez por todas na real. Isto não é o conto de fadas que nos contaram quando éramos novos quando nos perguntavam o que é que queríamos ser quando fôssemos grandes.

  20. #80
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    Acaso pensas que Portugal tem hoje em dia arcaboiço para manter a população graduada que produziu?
    Mas é isso que eu estou a dizer.Quanto às soluções, não sei quais são, nem os políticos sabem. Mas faz-me pena ver que a nossa sina tem sido um constante emigrar, e com a taxa de natalidade a diminuir.

    lamento muito que me repudies por isso
    Nada disso, fui muito explicito, dei-te os parabéns sinceros pelo teu sucesso. Mas não podemos por a culpa sempre nas pessoas, que é o que estás a fazer, porque as circunstâncias sócio-económicas também contam. E também há muitos que emigram e acabam mal.
    Sabemos todos quais são as causas históricas do declínio ibérico, mas não adianta estar sempre a repisar o mesmo.Somos iguais aos outros em defeitos e qualidades, não há defeito genético (há é falta de instrução) e dizer que os Gregos e Portugueses estão como estão por serem preguiçosos (como agora é moda repisar para achincalhar) corruptos e atrasados mentais não me parece corresponder totalmente à verdade dos factos (1). É um círculo vicioso de que é difícil sair: falta de instrução e falta de oportunidades.

    (1)como é a nova grafia?
    Last edited by Ludicus; April 21, 2012 at 06:19 AM.
    Il y a quelque chose de pire que d'avoir une âme perverse. C’est d'avoir une âme habituée
    Charles Péguy

    Every human society must justify its inequalities: reasons must be found because, without them, the whole political and social edifice is in danger of collapsing”.
    Thomas Piketty

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